segunda-feira, 15 de maio de 2017

Do alto

Lá de cima as pessoas parecem formigas, as pontes, fios de lã enroladas a outros embaraços que voam com o vento. O mar se reduz a um pouco d’água e as casas são organizadas dentro de quadrados invisíveis.

Se der sorte, hora ou outra você cruza com algum passarinho apressado, enquanto que lá embaixo, finalmente parece que todo o caos está em silêncio. 

Durante a noite as casas refletem o céu estrelado ( sempre penso nos fluxos de energia e nos vários modos de vida que acontecem lá dentro, dos quadrados menores – como no filme de Amelie Poulain).

Lá de cima o sol cega, as árvores parecem pinturas de um quadro aquarelado, o horizonte fica calmo e, as vezes, você chega a entender o desenho e as organizações das coisas e das cores. 

Lá de cima praia vira grão de areia e as pessoas, pó.

Lá do alto as vezes a gente entende o nosso verdadeiro tamanho e se você tiver sorte, entende uma porção de detalhes pequenos sobre a vida.


Entende sobre a velocidade do avião, do pássaro e do tiro. Do prazer do café quente e do andar descalço e também, de como podemos voar tão alto e ainda sim, ser tão pequenininho.







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