Lá de cima as pessoas parecem formigas, as pontes, fios de lã
enroladas a outros embaraços que voam com o vento. O mar se reduz a um pouco d’água
e as casas são organizadas dentro de quadrados invisíveis.
Se der sorte, hora ou outra você cruza com algum passarinho
apressado, enquanto que lá embaixo, finalmente parece que todo o caos está em
silêncio.
Durante a noite as casas refletem o céu estrelado ( sempre penso
nos fluxos de energia e nos vários modos de vida que acontecem lá dentro, dos
quadrados menores – como no filme de Amelie Poulain).
Lá de cima o sol cega, as árvores parecem pinturas de um
quadro aquarelado, o horizonte fica calmo e, as vezes, você chega a entender o desenho e as
organizações das coisas e das cores.
Lá de cima praia vira grão de areia e as
pessoas, pó.
Lá do alto as vezes a gente entende o nosso verdadeiro
tamanho e se você tiver sorte, entende uma porção de detalhes pequenos sobre a
vida.
Entende sobre a velocidade do avião, do pássaro e do tiro. Do prazer do café quente e do andar descalço e também, de como podemos voar tão alto e ainda sim, ser tão pequenininho.
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