sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Luana,

Carta 7 – ainda é outubro

Você sem lembra das nossas conversas no refeitório da faculdade?

Quantas pessoas chegavam e saiam e nós ali, sentadas, sempre acompanhadas de pessoas e palavras que circundavam nossa mente tão cheia e tão vazia...

De quantas vezes libertamos, nesse ritual de refeitório, nossos anseios, medos e jeitos...
E daquela outra vez que fomos ao templo, lembra? Um dos melhores momentos, para mim, foi ter sentado naquele restaurante para falar das pessoas e das coisas impalpáveis que tanto martela a nossa cabeça.

Nossa, como e fico feliz de ter amigos engrandecedores de coração que, em momentos de descuidos da vida, deixam vivos os fios da existência já tão esquecidos por muita gente...

Cara, como eu te admiro!       
                                  
Admiro por ser sempre tão generosa, por ter tempo para as pessoas e principalmente, não ter medo de mostrar quem é.

Por me contar suas coisas, por se perder e se encontrar diversas vezes, pelo humor, por olhar no olho.
Falando em olho, lembra daquele evento “entre olhares”? Como foi bom te ver de perto!
É um universo tão lindo, com um potencial tão gigantesco que sim, eu chorei!

Você, como engrandecedora de coração que faz inflar os peitos alheios é uma pessoa linda! Meu, como fico feliz de ter você por perto.

E na verdade, no fundinho do coração, eu gosto de você porque vejo que carrega um pouco de mim sem ao menos pedir licença.
Como é bom te encontrar e me encontrar em você!

Obrigada por estar por perto, por ser assim, por ser.

Com um tanto de admiração e gratidão que mal cabem no peito,


P.

PS: Estou sempre disponível para cafés e conversas despretneciosas. 
PS²: Que as dúvidas sempre existam, que o medo não seja maior que nossa coragem, que o trêm seja sempre pequeno para aquelas horas que a gente senta e tenta colocar em ordem nossa eterna bagunça mental

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Beatriz,

Carta 6 – outubro

Bia, você não deve saber, mas a cada mês eu escrevo uma carta para alguém.... Como você está recebendo isso em outubro significa que foi a escolhida do mês! (Ebaaa) 😊

Sabemos pouco uma da outra, mas a verdade da minha escolha foi: dificuldades em encerrar ciclos de forma silenciosa.

Por isso, sempre quando saio de um lugar, seja uma escola, curso, empresa e etc, tenho uma necessidade tremenda de me expressar, afinal, aquilo me fez diferente do que antes e isso já é bastante coisa!

Vou te contar:
Na primeira vez que te vi, no primeiro dia de aula, eu e a Andreza tínhamos escolhido a teacher de cabelo colorido, só pelo fato dela ter cabelo colorido.... Mas por fim, ficamos com você!

E que bom!

Foi uma surpresa ter te conhecido, pequena abelha! (HAHAHAHAH)

Fiquei surpresa com sua idade (que nem é tão distante da minha) e a sua vontade de ensinar, como eu ainda não sou amiguinha do inglês acho incrível quem é, mas eu te admiro e isso é mérito seu.

Então, me vi com vontade de te agradecer por esse tempinho e por tudo que tentou (e conseguiu) me ensinar – ser professor é uma coisa linda!

Obrigada por tudo e sei que você vai longe!

Torço por você, por sempre querer aprender, sempre querer ser melhor.
Que o seu caminho seja cheiiiiinho de alegria e generosidade.

Vai e decola que esse mundão aí está disponível para gente conquista-lo!

Aaah, prometo um dia me comunicar com você apenas em inglês, se isso não acontecer mereço um puxão de orelha!

Com admiração,

P.

domingo, 20 de agosto de 2017

Andreza,

Carta 5 - Setembro

Você não acha engraçada a vida?



Sim, começo esta carta com um questionamento, porque nós, como jornalistas e humanas, vivemos nos perguntando dos porquês da vida – mesmo que nunca conversamos sobre isso, sei que somos assim, afinal.... Somos parecidas! (é o que dizem por aí)

Justificando a minha pergunta, veja nós:
Desde a primeira série estamos juntas, mas o nosso caminho só se uniu de verdade quando a minha e a sua melhor amiga decidiram nos abandonar, um abandono que deu espaço para mim e para você. Por essas e outras que acho incrível as histórias da vida!

E, desde lá atrás eu me divirto muito com você.


Com a primeira série até o terceiro ano. O primeiro beijo. As amizades em comum. Os desgostos com os últimos anos da escola. Quando analisamos as vidas alheias. A escolha da faculdade e do curso. O primeiro trabalho como jornalistas. Os dias da faculdade. Baladas. Bebidas. Meninos. Mais histórias. TCC. O primeiro trabalho pós formadas.

Muita, mas muita coisa mesmo! Até que um parágrafo e vários pontos finais parecem sem sentido quando comparados com o tamanho da nossa história, esta, que me orgulho de contar e dou risada quando penso na real irmandade que temos.

Eu acho bonito como ficamos juntas todo esse tempo, como nunca brigamos, como conseguimos respeitar ou sentir a TPM da outra, como sempre temos nosso colo disponível, como dividimos nossos sonhos e até nossas opiniões, como nos parecemos, como nos abraçamos como se uma pudesse acalmar a outra, como ficamos felizes. É um sentimento genuíno, é um negócio de verdade.

E eu fico feliz quando vejo você feliz, quando vejo que a sua vontade deu certo, quando você pede minha opinião, quando me chama pra sair, mesmo que seja pra tomar pastel em um dia de chuva, como hoje.... 

Aliás, teve uma vez que você veio aqui para assistir filme e comer (comer, sempre!) e estava chovendo muito, você me disse:

_ Nossa, para alguém sair de casa e vir até aqui e fazer exatamente o que eu podia fazer de lá é porque a pessoa tem que gostar muito de você.

Eu gostei!
Você que não se expressa tanto achou um jeito de falar que queria estar comigo.

E lembra daquele dia que eu te emprestei a minha avó porque a sua não morava com você?
Depois eu pensei: foi bonito!

Se você um dia se cansar da sua, a minha está por aqui, por mais que ela nunca acerte seu nome, Vanessa!
Ops, Andreza!

A cada dia me sinto mais confortável e mais grata. Uma pessoa com mais dor de barriga, pelas gargalhadas e pelo tanto de comida.

Eu agradeço a cada dia por ter amigos tão especiais que posso chamar de irmãos, já que biologicamente não tive nenhum.

Eu desejo que você ainda conquiste esse mundão todo, que você sinta o seu coração pulsar tanto de amor que você sinta ele arrancar sua pele e que seu amor seja correspondido. Desejo que as borboletas do estomago sempre se procriem para cada novo sonho realizado. Que você sempre se amadureça e também, se renove e se recicle.

Desejo que sua família decole em sonhos e realizações porque sei que sua felicidade está em boa parte, depositada nela. Que você estude, que você saiba das coisas, que você conquiste as pessoas, os caminhos, os colos e os abraços – os melhores deles.

Desejo que tudo te aconteça da melhor forma e que nos dias de sol, você desfile na vida e nos de chuva, que apareça alguém com um grande guarda-chuva.

Desejo sobretudo, amor.

Liberdade.


Que eu possa te acompanhar por muito tempo, o dobro até do que já passamos.

Você é engraçada, é inteligente, tem um coração maravilhoso, é humana e humanidade é uma das melhores qualidades e, ao mesmo tempo, rara no ser humano – o que é também um paradoxo tremendo já que isso é raro.

Bom, faz um tempo que eu estou para te escrever, desculpa por algumas palavras perdidas e por não conseguir te falar tudo por aqui, mas sei que no fundo, a gente sente. Isso também é humanidade: sentir. E eu sinto muito, sinto a béssa a nossa amizade pulsando viva.

Eu te amo!

Da sua amiguinha,

P.




A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, close-up
Amigas desde quando nossas melhores amigas deu espaço para nós.
Orgulhosamente juntas desde 2001.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Luis,

Carta 4 - Agosto


Bom, você não deve saber, mas a cada mês estou escrevendo uma carta para uma pessoa diferente. 
Me propus a falar para as pessoas, em modo carta, o meu sentimento por elas... 
Como sei que você não vai ler isso por muito tempo, vou ser breve:

Um dia você me disse que todos os nossos amigos vêm e vão, mas alguns (nós) permanecem... Na época eu não tinha entendido muito bem o recado, mas agora é muito claro o carinho que cabe dentro de nós.

Obrigada por vez ou outra me chamar para comer e conversar. Sinto saudades da gente sentado na garagem ou deitado no sofá brisando, falando dos nossos medos e anseios, mas como te falei ontem, sempre fico feliz com cada conquista sua!

Por fim e talvez o mais importante:

Obrigada por confiar em mim e me dizer isso, espero que esteja sendo realmente sincero ao me falar isso.

Obrigada também pela amizade, pela permanência e por todo o carinho que continua, mesmo quando as vezes estamos longe um do outro.

É nois!
J

Ah, e sempre: que São Miguel te proteja.

Com carinho,
P.





A imagem pode conter: 1 pessoa, barba e close-up
Na foto você está como sempre: vestido com uma armadura de ogro, mas por dentro sei que você é uma manteiga generosa e derretida - obrigada por me permitir exagerar isso.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ellen,

Carta 3 - Julho

Como sempre inicio minha carta, peço que você não se assuste com o tanto de palavras carregadas nesse espaço em branco – pena de não ser de um papel, já que fui jogada para o mundo virtual e tenho que fazer proveito dele.

Peço sempre que não se assuste, afinal, tanto o ato de escrever como o de receber algo de alguém é quase como aqueles dias que, em plena cidade grande, um vagalume adentra a sua casa (ou seja, um dia raro, beeeem raro, principalmente quando tratamos de um bicho vagalume).

Mas, pensando bem... Todo esse início poderia ter sido jogado fora, já que estou tratando de uma pessoa tão parecida comigo que entenderia uma carta chegada do nada por um barulho de inbox no canto da tela. Portanto, me desculpe o texto de abertura, tenho que confessar que inicialmente essa carta não era para você e sim para uma outra pessoa que guardei na gaveta, que essa sim, precisava desse texto de cabeçalho.


[INÍCIO DE VERDADE]


Ellen, se alguém me perguntar como foi que esse laço incorporado foi estabelecido entre nós, eu não saberia dizer. Não lembro do primeiro encontro, não lembro de como permanecemos, de como começamos a trocar amarguras, cartas, felicidades e choros, seja nesse espaço virtual ou nos cantos das casas – minha e tua.

Não lembro ao menos quando foi que comemos juntas ou celebramos a primeira vitória nossa desde quando nos conhecemos, é como se nem mais nem menos os nossos caminhos estavam marcados em um espaço espiritual, talvez, para se encontrar e se apoiar, assim, de primeira vista e sem motivo algum.

Mas foi assim, como um encontro inesperado, como o envio dessa carta que eu fiz uma das amizades e irmandades mais bonitas e que me orgulho até hoje.


Eu não tenho medo do nosso afeto e eu sei que escolhemos uma a outra para termos o status de irmão, já que por sangue, não temos.

E por isso, por ver meu reflexo em você e por achar que você pertence ao mesmo mundo que eu e meus devaneios, te escolhi para escrever essa carta, afim de te agradecer a toda existência que temos e a todos esses anos que estamos uma ao lado da outra, como os passarinhos que tanto admiramos, quando eles vêm e voam para o mesmo local. Um ao lado do outro.

Agradeço por teus olhos sempre olharem os meus, por sempre querer saber de mim, por me cobrar convivência, saídas durante os dias ou colo e café quente. Por permanecer, assim sem explicação, por me chamar e me apresentar pros teus amigos, pelos anjos e por toda reza que sei que faz por mim. Por todo almoço e sobremesa, por cada quilo, por cada festa, principalmente aquela, de 19 anos (graças a ela nunca mais tomei tequila).

Por estar comigo enquanto eu tive medo do mundo e de deixar de ser criança e por todos os medos que compartilhamos. Por toda agonia. Por todo sofrimento, mas também por todo riso, por toda conquista, por cada semente plantada que iremos colher lá na frente.

Por todo amor, por todo afeto, por todas as vezes que você me chama, por todas as outras que apenas apareço, por toda poesia que cabe nessa carta e em nossas vidas, pela flor amarela, que mesmo depois de muitos meses ela já nasceu e morreu pelo menos três vezes.


E de novo, por todo amor...
Porquê como eu e você sabemos, ele é o mais importante, em qualquer relação e em qualquer parte do mundo.

Eu te amo, pequena borboleta.

O mundo está aí para você conquista-lo e por mais que a vida as vezes dói na gente, a coragem e a luz nunca devem ser apagadas e, por mais que você não acredite, a sua luz sempre está acesa.

Obrigada por ser vagalume humano que voa junto comigo!



Com amor e um tanto de admiração.


Da sua irmã,
P.
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, close-up e atividades ao ar livre
Dizem que no fundo a gente se parece e eu pretendo acreditar nisso.
Por dentro ela é sensível, chega a ser delicada demais, mas por fora, sempre cabe esse sorrisão e essa luz, do tamanho do mundo!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Michele,

Carta 2 - junho

Oi Michele, tudo bem? [Espero que sim!]

Não sei se você sabe, mas eu comecei a escrever uma carta por mês para alguém especial e junho é a sua vez!

Ontem eu fui na sua casa, não levei presente, não levei um enfeite, tampouco uns ramos de flores, como as visitas normalmente fazem quando chegam à casa de alguém. Na verdade eu não paguei nem a pizza que comemos juntas, mas eu levei o melhor de mim, a minha energia e o meu estado de inteiramente “estar” com você.

Acho que nunca escrevi alguma coisa para você e hora ou outra a gente sente que a gente se gosta, mas hoje eu quis te mostrar o meu afeto. Então senta aí, mulher!!!


Sabe... Nunca pensei que o teatro fosse me dar uma amiga, mas só pelo fato de não esperar a gente se encontrou e, de modo muito natural, um laço invisível entre nós tem sido feito desde as caronas da Goiás até a minha casa.

Michele, eu sinto orgulho de ter uma amiga como você, alguém para ir ao teatro, ao bar, no restaurante mais caro da minha vida ou como ontem, comer uma pizza de nem R$20.

A verdade é que quando a gente confia e gosta de alguém, não importa muito o que se faça, mas sim a companhia. E eu sou grata de ter te conhecido e ter estendido essa amizade.

Eu gosto dos nossos passeios, de como a gente se considera, mesmo que a gente demore para se ver até o próximo encontro. Gosto dos nossos programas, dos nossos comentários, de como eu e você temos o momento de falar e de ouvir. De gargalhar e de chorar. De como contamos as nossas novidades.

Eu gosto da sua independência, do seu modo de levar a vida, gosto da sua mudança, que você pode não perceber, mas você é outra (bem melhor) desde quando te conheci e mesmo assim, gosto das duas ou das outras 1.001 que você poderá ser.

Você é responsável, cuida dos outros e voa pelos sentimentos que a vida te joga no seu colo e eu gosto disso!
Sabe, pode acreditar que eu sempre vou estar aqui, disponível para vinhos, cervejas, comidas, papos e o quer que seja.

Mulher, parabéns pelo ser humano que é e não se esqueça: A tendência das suas coisas é sempre dar tudo certo.
Obrigada por tudo até agora e por tudo daqui para frente,


Com carinho e admiração,
P.

[Sabe a nossa conversa de ontem? Tenho uma novidade!

Recebi a notícia hoje que serei efetivada a partir do dia 3, a sensação que tive é que ontem eu precisava te ver, ter tido toda aquela conversa e tenho certeza que sempre as pessoas boas vão ao meu encontro, obrigada por isso também.


A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo
(Michele, a da esquerda para quem olha pro PC)
Nesse dia ela estava bonita, mas estava vestindo outro personagem. Sim, os dentes dela são grandes e o sorriso é gigante - eu gosto disso.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Nathalia,

Carta 1 - Maio


Oi Nat, tudo bem?

Parabéns, você é a primeira carta do meu projeto que vem e vai durante os anos, que diferente dele, só vão...

Sabe porque você foi a escolhida?

* Hoje é seu aniversário e eu acredito que quando um ciclo se fecha (seja ele do ano, de um processo ou de seilá do quê), outro se inicia e as boas coisas têm que vir principalmente nesse momento, em que você está suscetível a receber informações e coisas que agregarão algo aí dentro. E eu vim fazer a minha parte, agora é 21h31, então ainda é seu dia e eu cheguei a tempo (sempre há tempo).

      * Uma vez eu fui na pimenta e em um dos meus dias de silêncio eu percebi como era importante e sua profissão. Veja:

Ir à manicure é dizer a mim mesma “Paula, que bom que você está tentando se cuidar, tem tempo e até mesmo dinheiro para fazer isso e, ainda, que você confia uma parte de seu corpo a outra pessoa – isso significa que você deixa cuidar-se”.

Só o fato de as vezes me sentar em silencio, ali, enquanto você cuida das minhas unhas me faz pensar no privilégio que eu e muitas pessoas tem.

* Agora, talvez em último tópico, a sua importância. Não sei de toda sua vida, mas fico feliz quando diz que está bem, que mesmo com preocupações do TCC ou com as gripes de quarta-feira a vida continua! E devo dizer, por mais marrenta que você seja ou pareça, você é uma pessoa boa! MUITO melhor do que você acha, talvez...

Ah, e você faz massagens no meu pé e essa é a melhor parte!


Com tudo isso a verdade é que eu só gostaria de te agradecer por me cuidar e também, vim pelo seu aniversário.



Que os bons ventos sempre soprem para você.

Com carinho,

P.


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos, selfie e close-up
Sim, os olhos dela são claros e o riso é engraçado - espero que nesse dia ela realmente estivesse feliz. Vou torcer para que sim.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Do alto

Lá de cima as pessoas parecem formigas, as pontes, fios de lã enroladas a outros embaraços que voam com o vento. O mar se reduz a um pouco d’água e as casas são organizadas dentro de quadrados invisíveis.

Se der sorte, hora ou outra você cruza com algum passarinho apressado, enquanto que lá embaixo, finalmente parece que todo o caos está em silêncio. 

Durante a noite as casas refletem o céu estrelado ( sempre penso nos fluxos de energia e nos vários modos de vida que acontecem lá dentro, dos quadrados menores – como no filme de Amelie Poulain).

Lá de cima o sol cega, as árvores parecem pinturas de um quadro aquarelado, o horizonte fica calmo e, as vezes, você chega a entender o desenho e as organizações das coisas e das cores. 

Lá de cima praia vira grão de areia e as pessoas, pó.

Lá do alto as vezes a gente entende o nosso verdadeiro tamanho e se você tiver sorte, entende uma porção de detalhes pequenos sobre a vida.


Entende sobre a velocidade do avião, do pássaro e do tiro. Do prazer do café quente e do andar descalço e também, de como podemos voar tão alto e ainda sim, ser tão pequenininho.







quinta-feira, 11 de maio de 2017

De saudade e poesia

Hoje eu te vi, não... não era você, mas tinha tudo pra ser…
Não pude ver seus olhos brilhantes e profundos transparecendo o mundo, não pude ver se ele tava marejado, embaçado ou irradiando luz como a maioria das vezes faz. 
Também não pude sentir a temperatura do seu abraço ou a intensidade dele, de modo que não descobri se você de algum jeitinho estava precisando de um puxão de orelha, de um cafuné ou só daquele momento, mas mesmo assim PODIA ser você!
A garota vestia um cardigan verde, cor folha, folha viva e regada, cor de planta viva cobrindo um corpo por causa não do frio, mas do vento que às vezes passa e faz gelar os braços e o pescoço. De certa forma, não pude ver toda a poesia, mas vi que ela queria chegar a algum lugar e rápido, pra mim essa poesia já basta.
Ela vestia calça e um coturno preto, pensei: 
É você? 
Quero correr pra te abraçar, os cabelos dela estavam ao vento e se preocupava com o seu despenteado. 
É VOCÊ? 
Corria contra o vento, contra as folhas, contra água. 
É você? 
Não conseguia ver seu olho nem seu sorriso, mas a fotografia estava bem bonita. Passei por ela e não gritei, por mais que eu queria que fosse, meu consciente me dava pílulas de realidade e gritava dentro de mim para que eu não fizesse nada.
Não grita, não é ela, a essa hora ela só está em você e não nessa rua de pedra (É você..?) 
Não, não é ela, a essa hora ela está de branco, correndo pra salvar a vida de alguém provavelmente, talvez ela queira chegar a algum lugar, mas ela não tem que passar por essa rua e você sabe disso! (é..?) sim, ela esta um pouco despenteada, com frio e com medo dos seus medos e devaneios, ela está viva em poesia, mas longe dessa rua que nem carro passa! 
Então para com isso, vai lá, senta sua bunda na cadeira, chega onde tem que chegar e escreve essa poesia matinal, te escreves e mostra a sua alucinação de saudade que você alimenta das pessoas, vai e deseja um bom dia gostoso, deseja cabelos bagunçados e despenteados, vai lá, segue a vida e escreve tua poesia!
Clarice, tenha um bom dia, tá?

Estou com saudade

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Vó,

Parece que você sempre esteve aqui, sorrindo para as pessoas enquanto se preocupa com a generosidade. Aliás, parece que você sempre esteve aqui, já são 88 anos, né? Isso não é para qualquer um e aposto que nem você pensou que aguentaria. 

Não sei bem se as memórias que tenho são baseadas em fatos ou em fotos, mas você, Maria, parece que sempre esteve junto de mim – deve ser coisa de vó, né?

Nunca te disse isso e talvez você nunca saiba (ou se lembre) que foi você que me impulsionou e florir meu ombro. A rosa me lembra sua candura, delicadeza e como ambas sempre fazem alguém sorrir.

Eu me lembro de como sempre tentava brincar comigo e dou risada quando você tenta fazer isso com o cachorro, ou quando faz alguma voz diferente ou ainda, quando da bronca nele.

[será que você me dava broncas? Disso eu não me lembro]

Lembro de quando você ficou uns dias no hospital e de duas cirurgias (uma na mão e outra no olho), mas vi quando parou de se consultar e subir no ônibus por conta do degrau muito alto.

Lembro de como sempre acordava cedo, quando eu ia para escola. De como sempre tinha café quente e pão na mesa... Nem sempre eu queria comer, mas fazia só para não parecer descaso. 

Vi também quando parou de acordar as 6 horas, porque todos daqui passou a acordar mais tarde e, lembro de quando você caiu no caminho de buscar o pão, desde lá você nunca mais foi.

Lembro que gostava da sua batata frita, de como sua rotina mudou, dos quilos que uma hora se foram e agora, já estão de volta.

Também fica mais claro para mim porquê dizem que velhinhos são crianças nascidas faz tempo, nunca te contei  senão perco a moral, mas quando brigo porque pego você comendo doce escondido, estou dando risadas para dentro.

Vi seu cabelo ficando mais ralo, você querendo parar de dar voltar no quarteirão, de como vai menos a manicure, mas tudo bem, agora sou eu que faço suas unhas da mão e para mim, é muito melhor!

Sabe vó, quando te vejo enxergo um labirinto de histórias boas, você me deixa viva e olha que algumas pessoas vão dizer que isso é ironia.

Vó, você mais do que ninguém sabe que as coisas tem o seu tempo, então vai.. Faz como quiser, eu vou atrás tentando aprender com você, que as vezes parece titubear ao aprender a andar, a cada dia mais, com seus passos lentos.

Estou com você enquanto estiver por aqui.

Com amor e admiração,

P. 

Minha vó olha para a câmera enquanto o Edgar tira foto - o que me vem à mente é a candura que existe nessa mulher.
Fotografia tirada em 2017, na foto, 88 anos de vida.


Conversa de facebook

Ela:

 Eu sou pequenina, por favor, me tire daqui! Me arranque, me arranhe! Eu estou gritando por um cobertor quente, uma mão que acalente e afague toda dor. Não há de ser nada, não há de ser....

Eu queria chorar que nem criança de joelho ralado no colo do pai, eu só queria chorar. Não quero trabalhar por dinheiro, porque esse mundo é assim?


Eu:

Porque o mundo te afoga, menina?
Porque ao mesmo tempo que apanha não há uma mão que te faça carícias? Larga a dor, se joga no meu colo... Vem brincar no castelo improvisado de cobertor, no meio da sala. Eu sou sua irmanzinha e vou cuidar de você. Vem chorar, abraça forte, te empresto a minha vozinha e o meu cobertor.