sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ellen,

Carta 3 - Julho

Como sempre inicio minha carta, peço que você não se assuste com o tanto de palavras carregadas nesse espaço em branco – pena de não ser de um papel, já que fui jogada para o mundo virtual e tenho que fazer proveito dele.

Peço sempre que não se assuste, afinal, tanto o ato de escrever como o de receber algo de alguém é quase como aqueles dias que, em plena cidade grande, um vagalume adentra a sua casa (ou seja, um dia raro, beeeem raro, principalmente quando tratamos de um bicho vagalume).

Mas, pensando bem... Todo esse início poderia ter sido jogado fora, já que estou tratando de uma pessoa tão parecida comigo que entenderia uma carta chegada do nada por um barulho de inbox no canto da tela. Portanto, me desculpe o texto de abertura, tenho que confessar que inicialmente essa carta não era para você e sim para uma outra pessoa que guardei na gaveta, que essa sim, precisava desse texto de cabeçalho.


[INÍCIO DE VERDADE]


Ellen, se alguém me perguntar como foi que esse laço incorporado foi estabelecido entre nós, eu não saberia dizer. Não lembro do primeiro encontro, não lembro de como permanecemos, de como começamos a trocar amarguras, cartas, felicidades e choros, seja nesse espaço virtual ou nos cantos das casas – minha e tua.

Não lembro ao menos quando foi que comemos juntas ou celebramos a primeira vitória nossa desde quando nos conhecemos, é como se nem mais nem menos os nossos caminhos estavam marcados em um espaço espiritual, talvez, para se encontrar e se apoiar, assim, de primeira vista e sem motivo algum.

Mas foi assim, como um encontro inesperado, como o envio dessa carta que eu fiz uma das amizades e irmandades mais bonitas e que me orgulho até hoje.


Eu não tenho medo do nosso afeto e eu sei que escolhemos uma a outra para termos o status de irmão, já que por sangue, não temos.

E por isso, por ver meu reflexo em você e por achar que você pertence ao mesmo mundo que eu e meus devaneios, te escolhi para escrever essa carta, afim de te agradecer a toda existência que temos e a todos esses anos que estamos uma ao lado da outra, como os passarinhos que tanto admiramos, quando eles vêm e voam para o mesmo local. Um ao lado do outro.

Agradeço por teus olhos sempre olharem os meus, por sempre querer saber de mim, por me cobrar convivência, saídas durante os dias ou colo e café quente. Por permanecer, assim sem explicação, por me chamar e me apresentar pros teus amigos, pelos anjos e por toda reza que sei que faz por mim. Por todo almoço e sobremesa, por cada quilo, por cada festa, principalmente aquela, de 19 anos (graças a ela nunca mais tomei tequila).

Por estar comigo enquanto eu tive medo do mundo e de deixar de ser criança e por todos os medos que compartilhamos. Por toda agonia. Por todo sofrimento, mas também por todo riso, por toda conquista, por cada semente plantada que iremos colher lá na frente.

Por todo amor, por todo afeto, por todas as vezes que você me chama, por todas as outras que apenas apareço, por toda poesia que cabe nessa carta e em nossas vidas, pela flor amarela, que mesmo depois de muitos meses ela já nasceu e morreu pelo menos três vezes.


E de novo, por todo amor...
Porquê como eu e você sabemos, ele é o mais importante, em qualquer relação e em qualquer parte do mundo.

Eu te amo, pequena borboleta.

O mundo está aí para você conquista-lo e por mais que a vida as vezes dói na gente, a coragem e a luz nunca devem ser apagadas e, por mais que você não acredite, a sua luz sempre está acesa.

Obrigada por ser vagalume humano que voa junto comigo!



Com amor e um tanto de admiração.


Da sua irmã,
P.
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, close-up e atividades ao ar livre
Dizem que no fundo a gente se parece e eu pretendo acreditar nisso.
Por dentro ela é sensível, chega a ser delicada demais, mas por fora, sempre cabe esse sorrisão e essa luz, do tamanho do mundo!

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