Carta 3 - Julho
Como sempre inicio minha carta, peço que você não se assuste com o tanto de palavras carregadas nesse espaço em branco – pena de não ser de um papel, já que fui jogada para o mundo virtual e tenho que fazer proveito dele.
Como sempre inicio minha carta, peço que você não se assuste com o tanto de palavras carregadas nesse espaço em branco – pena de não ser de um papel, já que fui jogada para o mundo virtual e tenho que fazer proveito dele.
Peço sempre que não se
assuste, afinal, tanto o ato de escrever como o de receber algo de alguém é
quase como aqueles dias que, em plena cidade grande, um vagalume adentra a sua
casa (ou seja, um dia raro, beeeem raro, principalmente quando tratamos de um
bicho vagalume).
Mas, pensando bem... Todo
esse início poderia ter sido jogado fora, já que estou tratando de uma pessoa
tão parecida comigo que entenderia uma carta chegada do nada por um barulho de
inbox no canto da tela. Portanto, me desculpe o texto de abertura, tenho que
confessar que inicialmente essa carta não era para você e sim para uma outra
pessoa que guardei na gaveta, que essa sim, precisava desse texto de cabeçalho.
[INÍCIO DE VERDADE]
Ellen, se alguém me
perguntar como foi que esse laço incorporado foi estabelecido entre nós, eu não
saberia dizer. Não lembro do primeiro encontro, não lembro de como
permanecemos, de como começamos a trocar amarguras, cartas, felicidades e
choros, seja nesse espaço virtual ou nos cantos das casas – minha e tua.
Não lembro ao menos
quando foi que comemos juntas ou celebramos a primeira vitória nossa desde
quando nos conhecemos, é como se nem mais nem menos os nossos caminhos estavam
marcados em um espaço espiritual, talvez, para se encontrar e se apoiar, assim,
de primeira vista e sem motivo algum.
Mas foi assim, como um
encontro inesperado, como o envio dessa carta que eu fiz uma das amizades e irmandades
mais bonitas e que me orgulho até hoje.
Eu não tenho medo do
nosso afeto e eu sei que escolhemos uma a outra para termos o status de irmão,
já que por sangue, não temos.
E por isso, por ver meu
reflexo em você e por achar que você pertence ao mesmo mundo que eu e meus
devaneios, te escolhi para escrever essa carta, afim de te agradecer a toda existência
que temos e a todos esses anos que estamos uma ao lado da outra, como os
passarinhos que tanto admiramos, quando eles vêm e voam para o mesmo local. Um ao
lado do outro.
Agradeço por teus olhos
sempre olharem os meus, por sempre querer saber de mim, por me cobrar convivência,
saídas durante os dias ou colo e café quente. Por permanecer, assim sem
explicação, por me chamar e me apresentar pros teus amigos, pelos anjos e por
toda reza que sei que faz por mim. Por todo almoço e sobremesa, por cada quilo,
por cada festa, principalmente aquela, de 19 anos (graças a ela nunca mais
tomei tequila).
Por estar comigo enquanto
eu tive medo do mundo e de deixar de ser criança e por todos os medos que
compartilhamos. Por toda agonia. Por todo sofrimento, mas também por todo riso,
por toda conquista, por cada semente plantada que iremos colher lá na frente.
Por todo amor, por todo
afeto, por todas as vezes que você me chama, por todas as outras que apenas
apareço, por toda poesia que cabe nessa carta e em nossas vidas, pela flor
amarela, que mesmo depois de muitos meses ela já nasceu e morreu pelo menos
três vezes.
E de novo, por todo
amor...
Porquê como eu e você
sabemos, ele é o mais importante, em qualquer relação e em qualquer parte do
mundo.
Eu te amo, pequena borboleta.
O mundo está aí para você
conquista-lo e por mais que a vida as vezes dói na gente, a coragem e a luz
nunca devem ser apagadas e, por mais que você não acredite, a sua luz sempre
está acesa.
Obrigada por ser vagalume
humano que voa junto comigo!
Com amor e um tanto de
admiração.
Da sua irmã,
P.
![]() |
| Dizem que no fundo a gente se parece e eu pretendo acreditar nisso. Por dentro ela é sensível, chega a ser delicada demais, mas por fora, sempre cabe esse sorrisão e essa luz, do tamanho do mundo! |

Nenhum comentário:
Postar um comentário