domingo, 20 de agosto de 2017

Andreza,

Carta 5 - Setembro

Você não acha engraçada a vida?



Sim, começo esta carta com um questionamento, porque nós, como jornalistas e humanas, vivemos nos perguntando dos porquês da vida – mesmo que nunca conversamos sobre isso, sei que somos assim, afinal.... Somos parecidas! (é o que dizem por aí)

Justificando a minha pergunta, veja nós:
Desde a primeira série estamos juntas, mas o nosso caminho só se uniu de verdade quando a minha e a sua melhor amiga decidiram nos abandonar, um abandono que deu espaço para mim e para você. Por essas e outras que acho incrível as histórias da vida!

E, desde lá atrás eu me divirto muito com você.


Com a primeira série até o terceiro ano. O primeiro beijo. As amizades em comum. Os desgostos com os últimos anos da escola. Quando analisamos as vidas alheias. A escolha da faculdade e do curso. O primeiro trabalho como jornalistas. Os dias da faculdade. Baladas. Bebidas. Meninos. Mais histórias. TCC. O primeiro trabalho pós formadas.

Muita, mas muita coisa mesmo! Até que um parágrafo e vários pontos finais parecem sem sentido quando comparados com o tamanho da nossa história, esta, que me orgulho de contar e dou risada quando penso na real irmandade que temos.

Eu acho bonito como ficamos juntas todo esse tempo, como nunca brigamos, como conseguimos respeitar ou sentir a TPM da outra, como sempre temos nosso colo disponível, como dividimos nossos sonhos e até nossas opiniões, como nos parecemos, como nos abraçamos como se uma pudesse acalmar a outra, como ficamos felizes. É um sentimento genuíno, é um negócio de verdade.

E eu fico feliz quando vejo você feliz, quando vejo que a sua vontade deu certo, quando você pede minha opinião, quando me chama pra sair, mesmo que seja pra tomar pastel em um dia de chuva, como hoje.... 

Aliás, teve uma vez que você veio aqui para assistir filme e comer (comer, sempre!) e estava chovendo muito, você me disse:

_ Nossa, para alguém sair de casa e vir até aqui e fazer exatamente o que eu podia fazer de lá é porque a pessoa tem que gostar muito de você.

Eu gostei!
Você que não se expressa tanto achou um jeito de falar que queria estar comigo.

E lembra daquele dia que eu te emprestei a minha avó porque a sua não morava com você?
Depois eu pensei: foi bonito!

Se você um dia se cansar da sua, a minha está por aqui, por mais que ela nunca acerte seu nome, Vanessa!
Ops, Andreza!

A cada dia me sinto mais confortável e mais grata. Uma pessoa com mais dor de barriga, pelas gargalhadas e pelo tanto de comida.

Eu agradeço a cada dia por ter amigos tão especiais que posso chamar de irmãos, já que biologicamente não tive nenhum.

Eu desejo que você ainda conquiste esse mundão todo, que você sinta o seu coração pulsar tanto de amor que você sinta ele arrancar sua pele e que seu amor seja correspondido. Desejo que as borboletas do estomago sempre se procriem para cada novo sonho realizado. Que você sempre se amadureça e também, se renove e se recicle.

Desejo que sua família decole em sonhos e realizações porque sei que sua felicidade está em boa parte, depositada nela. Que você estude, que você saiba das coisas, que você conquiste as pessoas, os caminhos, os colos e os abraços – os melhores deles.

Desejo que tudo te aconteça da melhor forma e que nos dias de sol, você desfile na vida e nos de chuva, que apareça alguém com um grande guarda-chuva.

Desejo sobretudo, amor.

Liberdade.


Que eu possa te acompanhar por muito tempo, o dobro até do que já passamos.

Você é engraçada, é inteligente, tem um coração maravilhoso, é humana e humanidade é uma das melhores qualidades e, ao mesmo tempo, rara no ser humano – o que é também um paradoxo tremendo já que isso é raro.

Bom, faz um tempo que eu estou para te escrever, desculpa por algumas palavras perdidas e por não conseguir te falar tudo por aqui, mas sei que no fundo, a gente sente. Isso também é humanidade: sentir. E eu sinto muito, sinto a béssa a nossa amizade pulsando viva.

Eu te amo!

Da sua amiguinha,

P.




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Amigas desde quando nossas melhores amigas deu espaço para nós.
Orgulhosamente juntas desde 2001.



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